Um compressor de ar usa um óleo lubrificante específico para compressores, sem aditivos detergentes, com uma viscosidade que costuma situar-se entre ISO VG 68 e ISO VG 100 (equivalente aos graus SAE 30 ou SAE 40, dependendo da temperatura de funcionamento). O que nunca se deve usar é óleo de motor de carro: os seus detergentes geram depósitos de carbono que danificam o compressor. No entanto, o óleo certo depende do tipo de compressor e da sua utilização, e é aí que vale a pena ser mais preciso.
Escolher bem o lubrificante não é um pormenor insignificante: é o que faz a diferença entre um compressor que dura anos e um que avaria antes do tempo. Neste guia, vais ver que tipo de óleo usar consoante o teu equipamento, como interpretar a viscosidade e que erros evitar.
Por que é que um compressor precisa de um óleo específico?
O óleo de um compressor cumpre várias funções ao mesmo tempo: lubrifica as peças em movimento (pistões ou rotores), veda os espaços internos para que a pressão não escape, arrefece o conjunto dissipando o calor da compressão e protege contra a corrosão e a oxidação. Num compressor de parafuso, além disso, o óleo está em contacto direto com o ar a temperaturas que ultrapassam os 90 °C, pelo que tem de resistir a essas condições sem se degradar.
É por isso que os óleos para compressores são formulados sem detergentes e com baixo teor de cinzas e enxofre, exatamente o oposto de um óleo para automóveis. Um lubrificante inadequado não só tem um desempenho pior como também pode reduzir drasticamente a vida útil do equipamento.

Tipos de óleo para compressores de ar
Existem três grandes famílias, e a escolha depende sobretudo da intensidade de utilização.
Óleo mineral. É derivado do petróleo refinado, é o mais económico e dá conta do recado para compressores pequenos ou de uso doméstico e ocasional. Precisa de ser trocado com mais frequência.
Óleo sintético. Formulado em laboratório, oferece maior estabilidade térmica, maior durabilidade e melhor desempenho a baixas temperaturas e em funcionamento contínuo. É o recomendado para uso industrial e profissional, e para compressores de parafuso que funcionam muitas horas seguidas.
Óleo semissintético. Um meio-termo entre os dois anteriores, para utilizações exigentes que não chegam ao nível puramente industrial.
Existe também o óleo alimentar, obrigatório quando o ar comprimido entra em contacto com alimentos, e óleos específicos para aplicações concretas. Se o teu processo for desse tipo, a escolha do lubrificante faz parte dos requisitos de qualidade do ar exigidos.
A viscosidade: as normas ISO VG e SAE explicadas
A viscosidade indica o quão «espesso» é o óleo e é o parâmetro mais importante na hora de o escolher. É expressa de duas formas equivalentes: a escala ISO VG (a mais comum no setor industrial) e a escala SAE (mais conhecida no mundo automóvel). Para compressores, os valores mais comuns são o ISO VG 68 e o ISO VG 100, que correspondem aproximadamente ao SAE 30 e ao SAE 40.
| Viscosidade ISO VG | Equivalente SAE | Utilização recomendada |
|---|---|---|
| ISO VG 32 | SAE 10 | Ambientes muito frios ou arranques a baixa temperatura |
| ISO VG 46-68 | SAE 20-30 | Compressores de parafuso (valor habitual recomendado) |
| ISO VG 68-100 | SAE 30-40 | Compressores de pistão e ambientes quentes |
Como regra geral, quanto mais alta for a temperatura ambiente, mais alta deve ser a viscosidade; e quanto mais baixa for a temperatura, mais baixa deve ser a viscosidade. Seja como for, a referência definitiva é sempre o manual do fabricante do teu equipamento.
Que óleo se usa num compressor de pistão?
Os compressores de pistão, que têm um uso mais intermitente, costumam funcionar bem com um óleo mineral ou semissintético de viscosidade ISO VG 100 (SAE 40), sem detergentes. Em ambientes frios, pode-se baixar para ISO VG 68. Estes equipamentos toleram óleos um pouco mais simples, porque não funcionam de forma contínua. Podes ver a gama de compressores de pistão para a indústria e as respetivas especificações para identificares o lubrificante adequado para cada modelo.
Que óleo se usa num compressor de parafuso?
Os compressores de parafuso, concebidos para funcionar muitas horas seguidas, requerem quase sempre um óleo sintético com viscosidade ISO VG 46 ou 68, mais resistente às altas temperaturas e com intervalos de substituição mais longos. Como o óleo está em contacto permanente com o ar quente, a qualidade do lubrificante é ainda mais determinante do que num compressor de pistão. Na gama de compressores de ar industriais de parafuso, o fabricante especifica o tipo e a periodicidade da troca para cada equipamento.
Pode usar-se óleo 15W40 ou 10W30 num compressor?
É uma das dúvidas mais frequentes, e a resposta curta é que não é aconselhável. Os óleos multigrau para automóveis, como o 15W40, o 10W30 ou o 5W30, são formulados com aditivos detergentes e dispersantes pensados para o motor de um carro, não para um compressor. Num compressor, esses aditivos geram depósitos de carbono e lamas que se acumulam nas válvulas e na câmara de compressão. Numa emergência pontual, podem tirar-te do apuro, mas, como regra geral, deves usar um óleo específico para compressores sem detergentes. A única viscosidade de automóvel que, por vezes, é admitida em pequenos compressores de pistão é um SAE 30 monogrado sem aditivos, mas o lubrificante específico é sempre preferível.

Erros comuns na escolha do óleo do compressor
O erro mais comum, e o mais grave, é usar óleo de motor de carro, pelas razões que acabámos de ver. Outros erros comuns são misturar óleo mineral com sintético (podem ser incompatíveis e perder propriedades), ignorar a viscosidade recomendada pelo fabricante, reutilizar óleo usado ou encher sem verificar o nível no visor. E uma exceção importante que muita gente ignora: se o teu compressor for «oil-free» (sem óleo), não deves adicionar nenhum lubrificante, porque o seu mecanismo foi concebido para funcionar a seco.
Quanto óleo cabe num compressor de ar?
Não existe uma quantidade universal: cada modelo tem a sua capacidade específica, que está indicada no manual do equipamento. Nos pequenos compressores de pistão, costuma rondar os 0,3 a 0,6 litros, enquanto os equipamentos industriais de parafuso lidam com volumes muito superiores. O importante não é tanto o valor exato, mas sim respeitar o nível indicado no visor: nem abaixo (falta de lubrificação) nem acima (o excesso gera espuma e faz com que o óleo seja arrastado para o ar). O ponto de referência costuma estar a meio do visor, com o compressor parado e frio.
Com que frequência se troca o óleo do compressor?
A frequência depende do tipo de óleo e das horas de utilização, mas, como orientação, o óleo mineral costuma ser trocado com mais frequência do que o sintético, que aguenta mais horas de funcionamento. O essencial é seguir os intervalos indicados no manual de cada equipamento e verificar o nível antes de cada utilização através do visor. Uma troca de óleo atempada é a operação de manutenção mais barata e a que mais prolonga a vida útil do compressor.
Tens dúvidas sobre o óleo do teu compressor? Fala connosco
Na Jender fabricamos compressores de parafuso e de pistão, e sabemos ao pormenor qual o lubrificante de que cada equipamento necessita. Se tiveres dúvidas sobre o óleo, o nível ou o intervalo de substituição do teu compressor, a nossa equipa técnica aconselha-te e fornece-te a peça de reposição original, com assistência em toda a Espanha. Diz-nos qual é o teu modelo e indicamos-te exatamente o óleo de que precisas.